sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Crônicas da terra lusitana - Coimbra




Coimbra foi antiga capital do reino de Portugal e possui uma das maiores universidades do país, a Universidade de Coimbra, fundada em 1290, por D. Dinis. A universidade é uma das mais antigas da Europa e a mais antiga da Lusofonia. A cidade fica às margens do rio Mondego, tendo 144 mil habitantes em seu município (2011). É subdividida em 18 freguesias. O rio Mondego nasce na Serra da Estrela e percorre o país no sentido leste-oeste, desaguando no Atlântico.
É considerada uma das mais importantes cidades portuguesas, em função da infraestrutura, das organizações e empresas aí instaladas, além de sua importância histórica, geográfica (fica no centro de Portugal), entre as cidades de Lisboa e do Porto. Sua maior fama vem da qualidade de seu ensino e dos serviços de saúde. Em torno de 37 mil estudantes estão matriculados no ensino superior privado e público. Em 2003, foi Capital Nacional da Cultura.
No dia 22 de Junho de 2013, a Universidade de Coimbra, Alta e Sofia, foram declaradas Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.
Coimbra é uma cidade de ruas estreitas, pátios, escadinhas e arcos medievais, e foi berço de nascimento de seis reis de Portugal, da Primeira Dinastia.
A cidade tem origens pre-históricas, num outeiro defendido pelo fosso natual do rio Mondego e pelas duas ravinas que nele desembocavam, lugar rodeado de terras ricas em água. No segundo século a.C. a região foi conquistada pelos romanos que aí erigiram a cidade cujo nome se tornou Eminium. Sua significação provavelmente esteja ligada a um castro (fortaleza) de origem pre-celtica. A importância da cidade aumentou com a construção pelos romanos de uma ponte sobre o rio Mondego, de importância estratégica.
As invasões bárbaras se deram em ondas sucessivas de suevos e visigodos que utilizaram a antiga cidade romana, sem acrescentar nada. Em 711, Coimbra foi dominada pelos mouros, mantendo, entretanto, sua fidelidade cristã. Mudou, entretanto, de nome: Conímbriga, por influência de uma localidade bem próxima e de seu bispo. Em 871, tornou-se o Condado de Coimbra. Foi, finalmente, conquistada definitivamente pelos cristãos em 1064, por Fernando Magno de Leão.
A partir daí, Coimbra tornou-se a cidade mais importante abaixo do rio Douro e logo foi escolhida como a capital do vasto Condado Portucalense, substituindo Guimarães em função da importância geopolítica da cidade. O conde D. Henrique de Borgonha e sua esposa, D. Tereza, aí instalaram sua residência. Muitos acreditam que tenha sido em Coimbra que nasceu D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal. Continuou sendo a capital até 1255, quando a mesma foi transferida para Lisboa. D. Afonso Henriques foi sepultado no Mosteiro de Santa Cruz.
No século XII, Coimbra apresentava já uma estrutura urbana, dividida entre a cidade alta, designada por Alta ou Almedina, onde viviam os aristocratas, os clérigos e, mais tarde, os estudantes, e a Baixa, do comércio, do artesanato e dos bairros ribeirinhos.
A partir de meados do século XVI a história da cidade passa a girar em torno da Universidade de Coimbra. Somente a partir do século XIX é que a cidade começa a se expandir para além de suas antigas muralhas.
No início do século XIX, Coimbra é ocupada pelas tropas do generais napoleônicos Junot e Masséna, durante a invasão francesa. Nesta época foram extintas as ordens religiosas.
No entanto, na segunda metade de oitocentos, a cidade viria a recuperar o esplendor perdido – em 1856 surge o primeiro telégrafo elétrico na cidade e a iluminação a gás, em 1864 é inaugurado o caminho-de-ferro e 11 anos depois nasce a ponte férrea sobre as águas do rio Mondego.
Em 1560 é criado o Tribunal da Inquisição de Coimbra, que viria a ser extinto em 1821 juntamente com os de Lisboa e Évora.
Fonte: Wikipedia.
Créditos de fotos:
Silvia Teodoro de Oliveira
Antônio Carlos Corrêa

Crônicas da terra lusitana - Porto


A cidade do Porto é a segunda maior de Portugal. Está situada no noroeste do país, sendo a capital do Distrito do Porto e da região Norte. A população urbana é composta por 237 mil habitantes e o aglomerado urbano, que inclui as vilas e aldeias próximas, abrange um total de quase dois milhões e quinhentos mil habitantes, o que a torna a maior metrópole do noroeste da Península Ibérica. O município tem sete freguesias.

Foi a cidade que deu origem ao nome Portugal. Estando magnificamente situada na foz do rio Douro, junto ao Oceano Atlântico, inicialmente foi habitada por povos celtas. Posteriormente, foi colonizada por fenícios e, depois, pelos romanos. Em torno de 200 a.C. os romanos a denominavam Portus Cale. Portus referindo-se à margem norte do rio Douro e Cale à margem sul. Quando da queda do Império Romano, no século V houve a invasão dos suevos. Em 585, ocorreu a invasão dos visigodos. Em 716 ocorreu a invasão moura com a destruição da cidade pelas tropas de Abd al-Aziz ibn Musa. A resistência cristã se concentrou nas Astúrias, o único território na Península Ibérica que os mouros não conseguiram conquistar. A retomada cristã não tardou. Em 750, Afonso I, das Astúrias expulsou os mouros. Em 868, o conde Vímara Peres passou a controlar a cidade, independentemente das Astúrias, quando encetou um plano de repovoamento e renovação urbana. A partir daí, Portucale (o nome que já vinha sendo empregado para a designação da cidade) assumiu grande importância político e militar, com a criação do Condado Portucalense. Novas invasões mouras ocorreram no século X, até que, por volta de 999, nobres, fidalgos e valentes gascões, entraram com uma grande armada pela foz do rio Douro e expulsaram, definitivamente, os mouros. A cidade tornou-se um dos baluartes cristãos em toda a Península.

Os vikings fizeram diversas incursões militares à região, com expoliação de bens públicos, mas foram, finalmente, rechaçados. Em 1096, o conde D. Henrique de Borgonha (pai de D. Afonso Henriques) recebe a concessão do governo de Portucale, como prêmio pela sua aliança aos reis de Leão e Castela na luta contra os mouros. Transferiu ele a capital para Braga, mais ao norte e protegida contra invasões, fazendo aí seu quartel general na luta antimourisca.

É desta época a reedificação do Porto, com a construção de muralhas muito bem fortificadas na parte mais elevada da cidade, onde fundaram um alcácer acastelado, para moradia dos governantes. Depois do conde D. Henrique, serviu como habitação dos bispos, aos quais foi doado.

Em 1111, Teresa de Leão, mãe do futuro primeiro rei de Portugal, concedeu ao bispo D. Hugo o couto do Porto. Das armas da cidade faz parte a imagem de Nossa Senhora. Daí o fato de o Porto ser também conhecido por "cidade da Virgem", epítetos a que se devem juntar os de "Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta", que lhe foram sendo atribuídos ao longo dos séculos e na sequência de feitos valorosos dos seus habitantes, e que foram ratificados por decreto de D. Maria II de Portugal.

Foi dentro dos seus muros que se efetuou o casamento do rei D. João I com a princesa inglesa D. Filipa de Lencastre. A cidade orgulha-se de ter sido o berço do infante D. Henrique, o navegador.

Devido aos sacrifícios que fizeram para apoiar a preparação da armada que partiu, em 1415, para a conquista de Ceuta, tendo a população do Porto oferecido aos expedicionários toda a carne disponível, ficando apenas com as tripas para a alimentação, tendo com elas confeccionado um prato saboroso que hoje é menu obrigatório em qualquer restaurante. Os naturais do Porto ganharam a alcunha de "tripeiros", uma expressão mais carinhosa que pejorativa. É também esta a razão pela qual o prato tradicional da cidade ainda é, hoje em dia, as "Tripas à moda do Porto". Existe uma confraria especialmente dedicada a este prato típico.


Crônicas da terra lusitana - O Mosteiro da Batalha


O Mosteiro da Batalha, também conhecido como Mosteiro de Santa Maria da Vitória, está situado na Batalha, distrito de Leiria, região Oeste de Portugal. Foi construído em 1386, por D. João I, o Mestre de Avis, em agradecimento à Virgem Maria, pela vitória das tropas portuguesas contra as forças de Castela na Batalha de Aljubarrota (1385).

Perto do local onde se ergue o Mosteiro da Batalha ocorreu, no dia 14 de Agosto de 1385, um acontecimento decisivo para a consolidação da nação portuguesa: D. João, Mestre de Avis e futuro rei de Portugal venceu os exércitos castelhanos na batalha de Aljubarrota. Esta vitória pôs termo a uma crise dinástica que se arrastava desde 1383, quando da morte do rei D. Fernando, cuja única filha era casada com o rei de Castela, pretendente ao trono de Portugal.

Sua construção durou quase dois séculos e foi concluída em 1517. É um exemplo da arquitetura gótica tardia portuguesa, também conhecido como estilo manuelino. Em 2007, foi considerado pela UNESCO como patrimônio mundial, além de ser uma das sete maravilhas do país. Desde 1910, foi classificado como Monumento Nacional.

Tem semelhanças com o grande mosteiro de Alcobaça. Sua estrutura foi esquematicamente dividida em setores: a igreja, o claustro, as dependências monásticas, a Sala do Capítulo, sacristia, refeitório e anexos.

A capela do Fundador, capela funerária, foi acrescentada ao projeto inicial pelo próprio rei D. João I, o mesmo acontecendo com a rotunda funerária conhecida por Capelas Imperfeitas, da iniciativa do rei D. Duarte.

O claustro menor e as dependências adjacentes foram construídos por iniciativa de D. Afonso V. D. João II não se interessou pela edificação. A obra voltaria a receber atenção do rei com D. Manuel, mas somente entre 1516-1517, quando este rei já havia se decidido pela construção do Mosteiro dos Jerónimos.

O Mosteiro foi restaurado no Século XIX, sob a direcção de Luís Mouzinho de Albuquerque, de acordo com projejtos de Thomas Pitt, viajante inglês que estivera em Portugal nos fins do Século XVIII, e que divulgara o mosteiro por toda a Europa através das suas gravuras. Neste restauro, o Mosteiro sofreu transformações mais ou menos profundas, particularmente pela destruição de dois claustros, junto das Capelas Imperfeitas e, no contexto de extinção das ordens religiosas em Portugal, pela remoção total dos símbolos religiosos, procurando tornar o Mosteiro num símbolo glorioso da Dinastia de Avis e, sobretudo, da sua primeira geração (a dita Ínclita Geração de Camões). É desta época sua atual configuração da Capela do Fundador e a vulgarização do termo Mosteiro da Batalha (celebrando Aljubarrota) em detrimento de Santa Maria da Vitória, numa tentativa de erradicar definitivamente as designações que lembrassem o passado religioso do edifício.

Crônicas da terra lusitana - Óbidos


Óbidos é uma vila de Portugal, do distrito de Leiria, situada na sub-região Oeste e região Centro. Tem 2.200 habitantes na área urbana e pouco mais de 11 mil no município. É considerada uma joia medieval e um dos pontos turísticos mais visitados da terra lusitana. A oeste é banhada pelo Oceano Atlântico.
O nome Óbidos vem do latim ópido, que significa “cidadela”, ou “cidade fortificada”. Foi fundada pelos romanos como uma fortaleza na defesa contra os bárbaros e se chamava Eburobrício.
Em 1148, foi conquistada aos mouros, por D. Afonso Henriques. Sua primeira carta de foral (independência como vila) data de 1195, sob o reinado de D. Sancho I. A cidade fez parte do dote de diversas rainhas de Portugal, especialmente Urraca de Castela, esposa de D. Afonso II, Rainha Santa Isabel, esposa de D. Dinis, Filipa de Lencastre, esposa de D. João I, Leonor de Aragão, esposa de D. Duarte, Leonor de Portugal, esposa de D. João II e outras mais.
Em 1527, viviam apenas 161 habitantes na vila e a área de muralhas corresponde à mesma que existe atualmente, ocupando uma área de 14,5 ha.
Em 16 de Fevereiro de 2007, o castelo de Óbidos recebeu o diploma de candidato a uma das sete maravilhas de Portugal.
Em 2015, as Muralhas da Vila de Óbidos integraram o projeto "Maravilhas de Portugal", uma iniciativa da Direção-Geral do Patrimônio Cultural e da multinacional Google que permite ver, com detalhes, numa visita a 360 graus, os 57 monumentos disponíveis 'online' a partir das páginas da Google ou da Google Maps.

Fonte: Wikipedia
Créditos das fotos:
Silvia Teodoro de Oliveira
Antônio Carlos Corrêa


Crônicas da terra lusitana - Lisboa - O Mosteiro dos Jerônimos


O Mosteiro dos Jerônimos, ou Mosteiro de Santa Maria de Belém, situa-se na Freguesia de Belém e foi construído a partir de 1496 por ordem de D. Manuel I, após solicitação à Santa Sé para que fosse concedida autorização para a construção de um grande mosteiro onde antes se erguia a ermida da Ordem de Cristo, à entrada de Lisboa, junto às margens do Rio Tejo. Os trabalhos se estenderam por quase cem anos e se tornou um grande monumento aos Descobrimentos. É considerado um símbolo da nação portuguesa, sendo uma de suas mais importantes atrações turísticas. Em 1907 foi classificado como Monumento Nacional e, em 1983, foi classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO, junto com a Torre de Belém. É considerado uma das sete maravilhas de Portugal.

A construção teve início em 6 de janeiro de 1501 (alguns dizem que foi em 1502), após o retorno de Vasco da Gama e foi custeada com os lucros vindos do comércio com o Oriente. Em 1518, D. Manuel decidiu, em seu testamento, transforma-lo em seu próprio panteão, destacando o papel dadinastia da qual descendia, a dinastia de Avis. É uma obra suntuosa, em estilo gótico flamejante (flamboyant) e influência mourisca que veio a ser conhecida como estilo manuelino. Teve como mestres responsáveis: Diogo de Boitaca, João de Castilho, Diogo de Torralva e Jerônimo de Ruão. Integra elementos arquitetônicos do gótico final e do renascimento, associando-lhes uma simbologia régia, cristológica e naturalista, que a torna única. A suntuosidade da obra seria uma espécie de propaganda real e de glorificação de um reino que se confundia com a pessoa do próprio rei D. Manuel. 

A obra foi feita em calcário extraído de pedreiras não muito distantes do local da construção. O mosteiro foi entregue aos monges da Ordem de São Jerônimo, que aí habitou até a extinção das ordens religiosas, em 1834. Foi, então, entregue à Real Casa Pia de Lisboa (instituição voltada ao acolhimento e educação de órfãos e à recuperação de mendigos e desfavorecidos), até 1940. A partir daí a igreja passou a servir à Igreja Paroquial da Freguesia de Santa Maria de Belém. Muitos dos ornamentos do mosteiro se perderam nesse processo.


Crônicas da terra lusitana - Lisboa - A Praça do Rossio


Um dos pontos mais emblemáticos de Lisboa é a Praça (ou Largo) do Rossio, também conhecida como Praça de D. Pedro IV (nosso D. Pedro I). É um dos locais de acontecimentos mais importantes na história da cidade. No período romano ali existiu um hipódromo. Como fica na zona baixa da cidade, era navegável até o século XII, sendo chamada de Valverde (um afluente do rio Tejo). Passou a sediar a realização de feiras e mercados.

Na Idade Média começou a ser rodeada de edifícios variados. À sua direita, havia uma Judiaria importante. No século XV, no reinado de D. João II, em decorrência da intolerância religiosa, as casas e prédios da Judiaria foram destruídos e seus materiais, principalmente mármore, foi utilizado na construção do Hospital de Todos os Santos. Este era um longo prédio com grandes arcos ogivais de pedraria ao rés-do-chão, num total de 25. Tinha no meio o templo, de arquitetura manuelina, em cuja fachada havia um pórtico em gótico flamejante (flamboyant), com os emblemas dos fundadores. Foi concluído no reinado de D. Manuel I. Na sua parte norte, foi construído o Convento de São Domingos de Lisboa, em 1242, pelo rei D. Sancho II. Foi muito danificado no terremoto de 1531, mas foi reerguido 5 anos depois. A velha Igreja de São Domingos ficava junto à ermida de Nossa Senhora da Escada, também conhecida por Nossa Senhora da Corredoura, por ficar próximo do sítio deste nome, atualmente a Rua das Portas de Santo Antão, e cuja construção datava dos princípios da monarquia. Esta rua hoje é um dos pontos turísticos noturnos mais procurados de Lisboa, repleta de restaurantes com mesas em toldos nas ruas.

Na parte norte da praça foi construído o Palácio dos Estaus, em 1449, pelo infante D. Pedro, o regente, para hospedar monarcas e embaixadores estrangeiros, além de pessoas da corte sem residência própria. Havia aí uma capela real. A partir de 1540, aí residiu D. João III e onde seu filho, D. Duarte faleceu. Também foi onde D. Sebastião recebeu das mãos do cardeal D. Henrique o governo do reino, antes de sucumbir tragicamente na batalha de Alcácer-Quibir, na África. Em 1571 se instalou neste prédio o Tribunal e a Sede da Inquisição, sendo oficialmente chamado de Casa de Despacho da Santa Inquisição. Ficou completamente destruído no terremoto de 1755.

A praça foi reconstruída após o terremoto de 1755, já que poucos edifícios resistiram, tendo surgido uma praça retangular de 166 metros de comprimento e 52 de largura. No lugar do Palácio dos Estaus, em 1807, instalou-se o Paço da Regência, em 1826 a Câmara dos Pares, a Academia Ral de Fortificação, a Secretaria da Intendência da Polícia, a Escola do Exército e o Tesouro Público. Em 1836 ocorreu um incêndio que queimou completamente o edifício.

A Praça do Rossio presenciou touradas, festivais, feiras, revistas e paradas militares, festas cortesãs, revoluções populares e também a autos-de-fé durante a Inquisição ou execuções capitais. Milhares de judeus foram aí queimados na fogueira nestes autos-de-fé. Foi no Rossio que se deram os tumultos populares depois da morte de D. Fernando e que foi abandonado o cadáver do bispo D. Martinho, precipitado das torres da Sé de Lisboa. Aí foi queimado vivo Garcia Valdez, autor de uma conspiração contra o Mestre de Avis, e aí foram decapitados em 26 de agosto de 1641, o Duque de Caminha, o Marquês de Vila Real e o Conde de Armamar, réus do mesmo crime em relação a D. João IV. Finalmente, nas lutas liberais e miguelistas, foi aqui o teatro do sufocado pronunciamento constitucional de infantaria 4, em 22 de agosto de 1831, em que morreram mais de 300 homens.

Finalmente, foi construído no antigo local do Palácio dos Estaus o Teatro Nacional D. Maria II (filha de D. Pedro IV, de Portugal, ou D. Pedro I, do Brasil), entre 1846 e 1849, que continua até os dias atuais.

A praça foi arborizada, as fontes monumentais foram colocadas, a estátua de D. Pedro IV, de 27,5 metros de altura, foi inaugurada em 1870, o pavimento foi calçado com mosaico português, com pedras em preto e branco, com padrões ondulantes. Foi um dos primeiros desenhos desse tipo a decorar os pavimentos da cidade.

No princípio do século XIX se localizavam nesta praça os célebres botequins do Nicola e das Parras, onde se reuniam os literados do tempo, Manuel Maria Barbosa du Bocage, Nuno Álvares Pato Moniz, Francisco Joaquim Bingre, João Vicente Pimentel Maldonado, etc.. Ali declamou Manuel Maria Barbosa du Bocage muitos dos seus sonetos e das suas mais famosas sátiras.

A praça hoje assiste a ocasionais comícios políticos, e os seus sóbrios edifícios pombalinos, já muito alterados, estão ocupados por lojas de recordações, joalherias, restaurantes e cafés

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Crônicas da terra lusitana - Lisboa - A Praça do Comércio (Terreiro do Paço)



Um dos mais belos locais de Lisboa é a Praça do Comércio, antigamente conhecida como Terreiro do Paço. É uma das maiores praças do mundo, junto ao Rio Tejo, cujas dimensões são impressionantes: 36.000 m2 (180m X 200m). Junto ao rio há um embarcadouro para pequenas naus e que também é utilizado para a recepção de chefes de estado e grandes autoridades quando desembarcam em Lisboa (assim foi com a recepção à rainha Elizabeth II). É a continuidade da Baixa Pombalina dando acesso direto à Rua Augusta e às ruas Aurea e da Prata, e cortada pela Rua do Arsenal, do lado esquerdo, e Rua da Alfândega, do lado direito. Todas com traçado linear e retangular que seguiram o projeto de alinhamento de ruas e com edifícios novos, com projetos arquitetônicos padronizados em três andares, de estilo neo-clássico, após o terremoto de Lisboa de 1755, que destruiu toda esta região. Ao seu lado encontra-se a Igreja da Conceição Velha e, diretamente na praça, desaguam duas grandes avenidas beira-rio: à direita a Avenida Infante Dom Henrique e, à esquerda, a Avenida da Ribeira das Naus. A Rua do Arsenal dá acesso ao Baixo Chiado e Parte Alta. A rua da Alfândega dá acesso a Alfama e Castelo de São Jorge. Durante a Revolução dos Cravos, de 25 de Abril de 1974, os oficiais amotinados tomaram a praça e prenderam os oficiais superiores que aí trabalhavam, dando origem ao movimento político-militar que mudou a história de Portugal e o colocou no mundo contemporâneo.
Defronte à praça encontra-se o monumental Arco Triunfal da Rua Augusta, construído em 1873/5, após a demolição do antigo, construído após o terremoto de 1755, abrindo-se para a rua de mesmo nome e dando acesso a toda a Baixa Pombalina. No topo do arco há uma inscrição dedicada à grandiosidade portuguesa quando dos descobrimentos de novas terras, povos e culturas. Assim está escrito: VIRTVTIBVS MAIORVM VT SIT OMNIBVS DOCVMENTO (“Às Virtudes dos Maiores, para que sirva a todos de ensinamento. Dedicado a expensas públicas”). No centro da praça encontra-se a estátua equestre de D. José I, construída em 1775, por Joaquim Machado de Castro. Toda a praça foi reconstruída por ordens do Marquês de Pombal após sua destruição no terremoto, sob o reinado de D. José I.
Os edifícios amarelos que circundam a praça pertencem ao governo português e até hoje sediam importantes instituições, como alguns Departamentos de Marinha. No passado, todo o setor administrativo do governo de sua majestade, desde o reinado de D. Manuel I, aí se localizava.
Hoje é ponto turístico de primeira grandeza em Lisboa. Com seus diversos restaurantes que, na primavera, verão e outono ficam repletos de mesas, cadeiras e toldos nas enormes calçadas, recebem turistas de todo o mundo, bem como de portugueses. Sob os arcos dos edifícios que fazem esquina com a Rua Augusta, podem ser encontradas feiras de artesanatos típicos portugueses. Neste período a praça recebe artistas circenses, espetáculos musicais, bandas de jazz, orquestras de câmera, conjuntos de fado e toda espécie de manifestações culturais.
Mas, nem sempre foi assim. Quando os judeus foram expulsos do território português, em 1497, pelo Rei D. Manuel I, no dia 30 de maio, uma multidão de hebreus, calculada em torno de 20 mil pessoas, se amontoava neste cais da praça para embarcar nos navios prometidos pelo rei para deixar o país. Numa manobra vil e traiçoeira, o rei proibiu os navios de se aproximar do cais e obrigou a todos os judeus a se converter à força ao catolicismo, pois, caso contrário, seriam presos ou mortos. Praticamente todos se recusaram, à exceção de sete chefes de família que se converteram. Os demais foram batizados à força, muitos puxados pelos cabelos ou barbas para que, sobre suas cabeças, se deitasse a água do batismo. O objetivo do rei era não permitir que essas pessoas, portadoras de um patrimônio financeiro, cultural, científico, tecnológico, prático nas mais diversas profissões que o reino necessitava, abandonassem o país e a nação fosse prejudicada. Nos meses anteriores a esse horror, as crianças judias haviam sido sequestradas de suas famílias e adotadas por cristãos, que as fizeram de escravas. Foram inúmeros os casos de suicídio coletivo ou individual entre os hebreus, que preferiam morrer do que abandonar sua fé e seu juramento para com as leis hebraicas. Nos anos seguintes, foram milhares de judeus que abandonaram o país. Em 1506, ocorreu outro grande pogrom (que se seguiu ao de 1499), em que turbas enfurecidas, com o ódio alimentado por religiosos, matou um número incerto de pessoas, mas que historiadores contemporâneos contabilizam entre 3 a 4 mil judeus. Em 1536, sob o reinado de D. João III, filho de D. Manuel, teve início a Inquisição em Portugal. Assim começou a derrocada do grande império português que, ao não reconhecer os direitos para a liberdade religiosa de outros crentes, afundou a nação em uma crise que durou até o século XX.